Conversei com o Autor do livro A epifania de Bernado e ele conta para gente como que foi o processo da obra desde a escrita até o envolvimento com a editora para realizar o lançamento, quais foram seus primeiros passos como escritor, suas maiores dificuldades e alegrias trabalhando com a escrita, o motivo de ter escolhido o curso de Letras e claro como que o sexo, as drogas e o Rock and Roll fizeram parte dessa incrível jornada, deram resultados bons ou ruins? Só lendo para saber…

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Octavio de Souza

Octavio de Souza, 24 anos de idade, formado em Letras-Licenciatura Português/Inglês, Ator, Roteirista e Escritor joseense do blog Planeta da insanidade acaba de lançar seu livro A epifania de Bernardo e claro eu como boa moradora de São José dos Campos e amiga desse carismático rapaz, não poderia deixar passar em branco e fui atrás de uma parceria para sortear um livro dele aqui no blog (Continuem lendo que vocês saberão como participar) e disso surgiu a ideia da entrevista para vocês conhecerem um pouco mais do desenvolvimento do livro e do próprio Autor Octavio, vocês vão se surpreender. Confira!

 

 

Estante LZ – Por que a escolha pelo curso de Letras-Português e Inglês?

Eu sempre gostei de escrever e queria um curso que me levasse mais para essa área, então escolhi Letras para aprender mais sobre textos, literatura, escrita etc.

 

Estante LZ – Quando surgiu a vontade de ser Escritor?

Nossa! (Risos). Faz tempo, acho que quando eu era criança mesmo eu já tinha essa vontade, escrevia muitas histórias, minha mãe escrevia também, então acho que já fui influenciado e como eu sou filho único, meus primos eram mais velhos e meus amigos gostavam de brincar de coisas diferentes, eu ficava brincando sozinho, com isso eu ficava inventando muitas histórias com meus bonecos e a partir daí fui criando gosto, mas foi com 13 anos que comecei a escrever meu primeiro livro à mão, na madrugada à luz de vela e foi nessa época que comecei a ter intenção de ‘vou ser escritor quando crescer’ (Risos).

 

Estante LZ – Quais foram seus primeiros passos para embarcar nessa profissão?

Olha os primeiros passos foi quando criei o meu blog, apesar de ter sido algo mais pessoal em vez de profissional, eu tinha a visão de que com a criação do blog eu ia conseguir levar para o lado profissional minha escrita, mas isso só aconteceu através do teatro quando escrevi um roteiro para a peça inspirada na vida e obra de Vinicius de Moraes na semana de Letras da Universidade paulista (UNIP), mas nisso eu já tinha o projeto do livro A epifania de Bernardo, eu escrevo ele desde 2010, quando eu tinha 18 anos.

 

Estante LZ – E como surgiu a ideia do livro?

Eu estava com 18 anos, tinha acabado de me formar, entrei para o mundo da música também, já tocava violão, tinha tido bandas, achei que queria ser músico e fazia muitas composições, tive bandas diferentes, ia para outras cidades ensaiar e tocar, contudo sempre continuei escrevendo e num certo dia tive a ideia ‘pô’ que muito louca a história de um cara que tem uma vida normal, mas viciado em drogas e ai ele experimenta uma droga que o levará para um mundo que é totalmente utópico, perfeito, porém nesse mundo ele começa a perceber algumas coisas e assim não vou falar muito para não contar a história do livro (Risos), mas eu tive a ideia do livro completamente inteira quando eu comecei a escrever, eu já sabia mais ou menos como ele seria.

 

Estante LZ – Como foi o processo como um todo? Desde a escrita até ele estar impresso para as vendas.

No início eu escrevia no computador da minha casa quando batia o ânimo e sobrava tempo. Apesar de ter certa dedicação eu tinha uma falta de combustível para todo dia levantar, escrever e trabalhar em cima dele era um processo muito difícil e às vezes não saía nada. No começo eu gostava de escrever durante as madrugadas, eu bebia muito quando comecei e virava noites bebendo e fazendo outras coisas, muitas vezes tinha festa em casa e quando vinha às ideias eu largava o pessoal e corria para o computador. Não é uma autobiografia, como muitos me perguntam, eu estava vivendo sim no mundo do Rock e das drogas, então às vezes no meio das festas como falei eu pensava ‘putz o Bernardo’ e saia para escrever, essa fase durou uns dois anos. Depois disso parei com tudo, pois tive problemas psicológicos, entrei na faculdade e mesmo assim quase larguei, porque eu não via sentido naquilo, ainda mais por não me fornecer algo que me incentivasse a escrever, era isso que eu esperava e não tive, eu mal assistia às aulas, mas no segundo semestre surgiu uma peça de teatro para eu escrever o roteiro e isso me incentivou muito a continuar, além de que eu consegui uma bolsa na Escola da Família, e pensei ‘não posso parar agora’ e foi justo na fase mais difícil da minha vida, pois estava largando as drogas, foi mais difícil à fase em que estava largando do que quando eu estava usando, porque não sei se era abstinência, mas fiquei muito doido.

Em paralelo a tudo isso que acontecia na minha vida o livro continuava a ser escrito e isso foi fundamental para o processo dele, porque o rumo da história mudou totalmente, pois a história era a mesma, para onde ela foi é que mudou. Se o livro tivesse sido finalizado no primeiro ano seria um livro tipo ‘AH LEGALIZE JÁ’, mas a vivência que eu tive nesse período tornou o livro muito mais maduro, porque ele acabou não sendo legalize já e sim a realidade do submundo, o Bernardo não poderia ter essa determinação da legalização, sendo que existem os conflitos e as coisas que são perdidas, enfim a partir disso eu comecei a desvincular cada vez mais do Bernardo, enxergar ele com mais distância e continuando a história, apesar dele ter ‘’saído de mim’’ chegou um momento em que nos separamos totalmente. Após todas essas mudanças eu consegui um estágio no qual eu podia ler e então comecei a ler muito e encontrar muitas referências importantes para o desenvolvimento do Bernardo, como por exemplo, Admirável mundo novo, A revolução dos bichos e entre outras que não me recordo, ou seja, fui me enriquecendo cada vez mais no mundo literário e comecei a compreender que a ideia que eu estava criando não era tão ruim assim, tinha potencial o meu livro.

Em 2014 eu estava muito envolvido com o teatro, escrevendo a peça baseada no Livro Desassossego do Fernando Pessoa e carreguei muito o peso desse Autor para minha escrita e como o livro foi assinado com um heterônimo dele, foi muito importante para o desenvolvimento do Bernardo no sentido de que de certa forma o Bernardo ele é escrito em primeira pessoa, é um livro que apesar de ter muita ação e dinâmica, ele tem muito existencialismo e reflexões, então me ajudou a investir ainda mais nisso.

Cheguei a concluir o livro para concorrer a um concurso da Saraiva e no último instante desisti, porque eu achei que estava muito exprimido, eu sentia que faltava algo, dava para trabalhar mais e isso foi o que me incentivou a terminar o livro de vez, ler do início ao fim, revisar e acrescentar. Enfim o livro A epifania de Bernardo estava pronto, mas tinha que ser lapidado, mas no sentido de acrescentar mais e não tirar (Risos), em 2016 eu fiz uma Oficina com o Giostri e comentei sobre o livro, fiz todo o processo da escolha da Editora e ele gostou da ideia e disse que queria o livro no catálogo da editora e a partir daí as coisas foram fluindo…

 

Estante LZ – Quais foram suas maiores dificuldades?

A maior dificuldade foi encontrar motivação, as pessoas sempre afirmavam para mim que essa profissão não dá dinheiro, a pressão de que você tem que fazer outra coisa ao invés de se dedicar a sua escrita, escutava frases como: você precisa estudar e trabalhar, mas assim  o potencial que eu tenho é para escrever e criar, então qualquer outra coisa que eu fizesse estaria desperdiçando esse potencial, eu poderia simplesmente não ter escrito nada né… Devido a isso foram cinco anos bem sofridos no sentido de acreditar mesmo que eu poderia um dia publicar meu livro, se eu soubesse que era tão fácil, simplesmente juntar uma grana, procurar uma editora e enviar meu trabalho eu já teria feito isso muito antes, mas acredito que tudo tem sua hora.

 

Estante LZ – E quais foram os melhores momentos?

(Silêncio) (Risos) Quando eu terminei foi muito bom, porque foram várias revisões e chegar ao sentido do que eu queria que o livro fosse e ao mesmo tempo mantendo a essência dele da forma mais sincera possível não foi fácil e quando estava pronto eu falei ‘putz é isso mesmo’ Teve momentos também que eu chorava escrevendo os capítulos e isso era muito bom, me lembro da primeira vez que eu escrevi 20 páginas numa noite, tipo foram mais de 20.000 caracteres mais ou menos e sem ter usado nenhum tipo de droga, sem ter usado nada, isso foi muito louco e eu me senti um guerreiro, porque eu achava que só conseguiria escrever sobre efeito de entorpecentes e quando consegui superar isso e virar uma noite escrevendo sóbrio, acho que foi o melhor momento, porque era eu mesmo.

 

Estante LZ – Você ficou satisfeito com o resultado final do livro?

Fiquei e muito.

 

Estante LZ – Como podemos encontrar o livro A epifania de Bernardo para comprar?

O livro pode ser comprado comigo, é só entrar em contato através das Redes Sociais, aqui em São José dos Campos você encontra no Teatro D’Aldeia tem uma livraria da Giostri lá e pelo site na Livraria Cultura.

 

Vocês podem encontrar o Octavio de Souza pelas Redes Sociais:

facebook-logo-square-neon-webtreatsetcwhatsapp-icone-2

(12) 988818-7518

Octavio também é Autor de contos e poesias no seu site Plano de insanidade

A primeira vez em que tive contato com o livro foi em PDF antes mesmo de ser lançado e agora já garanti o meu livro com autógrafo e tudo mais e vocês? Não percam a oportunidade de conhecer algo tão dinâmico e memorável! 

Letícia RZucco


Letícia Zucco, 21 anos, estudante de Letras - Português/Inglês blogueira e booktuber no Estante LZ. Ama livros e costuma gritar para todos os cantos que a leitura liberta.

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